05/04/2008
21/03/2008
11/03/2008
18/02/2008

As páginas que sucedem silenciosas, suavemente marcadas pelo tempo (murmúrios de chuva, vento e um sol que se esconde) – um tempo que talvez não haja – em caminhos incertos, guardam palavras não ditas, incompreensíveis, todavia vividas, ávidas de uma esperança sem semente nem flor, de galhos que se estendem ao outono que ainda não chegou e que se espera depois do sol que também não se vê.
20/01/2008
MEMÓRIAS DO VENTO
Qualquer palavra poderia ter sido a primeira.
Se não fosse, quem teria dito?
A única sensação que tenho são as palavras e como estranhamente lembro-me delas.
O que une e delineia as palavras é um abismo – e percorrê-lo, vertiginoso.
Ficar: intervalo entre o tempo de distância e a possibilidade da chegada.
Partir: a saída mais óbvia e angustiante.
Qualquer direção que poderia ter sido única era incerta.
Agora parece ser o único instante que não retorna. – E por que haveria de retornar? (Posso perguntar dez vezes!)
Soa outra vez um desejo: ouvir mais silêncio e chuvisco.
A existência habita o tempo
, de que meu corpo se alimenta.
A luta pela sobrevivência é apenas condição para afirmar temporariamente minha existência.
Depois de corpo em queda
toda lembrança é vazia.
Como perder o chão, não ter onde apoiar a vista – vertigem horizontal.
É preciso mergulhar no esquecimento para não ficar somente com o que paira na memória.
Sem origem – vertigem do tempo.
Na areia o mar sepulta rastros. Na calçada não restam passos. Na memória não existem fatos.
18/01/2008
I
O que não conheço não existe?
O que conheço existe?
O que sei?
Porque penso, existo?
Se não penso?
Se me esqueço?
Onde habito?
Quem habita o hábito
ou ausências
existe só
ou inventa existências.
II
Ainda habito estas ausências.
Ainda chamo ontem o esquecimento.
Ainda falo de silêncio e incompletude
das palavras.
Qual palavra ou ruído é possível
nas ranhuras do tempo
disperso de sentido
sem acontecimento
nem experiência
que delimite o espaço
num momento inexistente?


