Por que chove quando as roupas se espreguiçam no varal?
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19/12/2012
17/06/2012
05/03/2012
em que nada acontece IV
com angústia e lentidão preparei-me para
o imprevisível, banhei-me de perfume e flores, com olhar distraído e passos
imprecisos procurei entre portas e janelas, e quando cheguei, não havia
ninguém – era tarde demais, ou cedo demais para esperar.
02/10/2011
em que nada acontece III
“Procure a
sorte à sua volta, ela pode estar mais próxima do que você imagina”, dizia o
bilhete, que depois perdi.
Usei o
perfume dos bravos – pensei: é preciso coragem para prosseguir. Conversei com
três lobos perdidos numa noite sem lua. Guardei um jasmim sob o chapéu para
perfumar os cabelos. Esperei amanhecer, hora em que os prédios são de uma cor
confusa.
Fiz uma
lista, que depois perdi, de coisas imprecisas que fazer: sair de casa sem
anúncio ou previsão, vagar pela cidade sem destino ou propósito – pensei: quem
não espera não encontra o inesperado. Comprei sapatos que mordem o calcanhar.
Dei com bares e portas fechados, pessoas indecisas como eu e lugares
previsíveis como sempre. Pensei: é preciso coragem para parar.
Sem pensar,
estático, com os olhos ora ao longe ora ao chão, me surpreendi quando um
estranho me perguntou o que faço, realmente: nada. Isto fez estender o desentendido.
Saí só para
só ficar. Assim é, em que nada acontece, como sempre.
Sempre
previsível, nunca provável.
em que nada acontece II
Quase. Zero
muda tudo. Nunca ganhei nada, nem em sorteio, bingo ou coisa parecida. Não que
participasse ou esperasse algo. Nunca me empenhei em nada. Não acredito na
sorte. Aposto, mas nunca em números.
Desconfio de
todo ato. O mínimo é o máximo. Nada fazer exige coragem.
Deram-me um
número: trinta e três. Não, não era o pneumotórax. Sem acreditar (como alguém
que contempla a arquitetura contraditória que os homens erguem em monumento à
ineficácia da duração – tudo perece, penso), aguardo.
Disseram:
trinta e três. Por alguns segundos titubeei. Por gentileza, não por acreditar
(como alguém que ensaia um gesto estúpido e previsível para ser espontâneo – o
que o torna mais estúpido ainda), prossigo.
Não, trinta
e três não é trezentos e trinta. Zero faz toda diferença. É isto.
Dei a volta
ao círculo. No meio do caminho, quase encontrei: Leisa. Parei por alguns
segundos. Não, havia um zero, um redondo G antes de Leisa. Sim, quase, sempre.
Tarde
cheguei a casa, cansado de nada acontecer.
27/08/2011
Muitos de nós
Quando perguntam “que mundo daremos aos nossos filhos?”, deveriam também perguntar “que filhos daremos ao mundo?”
Um, nenhum, ninguém.
21/08/2011
03/07/2011
25/05/2011
em que nada acontece I
À espera do inesperado, procurei me perder. Vagar pelas ruas, conversar com mendigos, entrar em algum lugar abandonado. Nada aconteceu, como previsto. As portas estavam fechadas, ninguém apareceu e é impossível perder-se em uma cidade planejada. Estúpida ironia. Um dia extraordinariamente normal. Nada belo, nenhum sentimento. Apenas a suspeita de vagar em vão. Não há diferença entre sair sozinho ou acompanhado – a mesma solidão, assumida ou disfarçada. Sempre os óculos escuros a esconder olhos contritos e ressequidos de dias sem dormir, meses sem chuva, anos sem chorar.
02/04/2010
ignorância
não acredito em verdades silenciosas,
desconfio de idéias estáticas,
prefiro pensamentos estrábicos
que duvidam de espelhos e de
si mesmos.
desconfio de idéias estáticas,
prefiro pensamentos estrábicos
que duvidam de espelhos e de
si mesmos.
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