18/01/2008

ANOTAÇÕES

I

O que não conheço não existe?
O que conheço existe?
O que sei?
Porque penso, existo?
Se não penso?
Se me esqueço?
Onde habito?

Quem habita o hábito
ou ausências
existe só
ou inventa existências.


II

Ainda habito estas ausências.
Ainda chamo ontem o esquecimento.
Ainda falo de silêncio e incompletude
das palavras.

Qual palavra ou ruído é possível
nas ranhuras do tempo
disperso de sentido
sem acontecimento
nem experiência
que delimite o espaço
num momento inexistente?

16/01/2008

A Frederico N. Fisher, morto pela manhã, antes de tudo no fundo estático, como quem por um instante pensa ser formado de pedra - seu corpo insignificante e seus olhos que espelham transparências - depois, esquecido numa gaveta, lançado a mares inertes para ser navio ou vento: tarde, sons de vidro e de água preenchem meu sono quando ando desprovido de memórias para tatear em fundos de armário onde habitam traças e destroços de roupa úmida - diálogos com cortinas - ou mesmo quando a única palavra que nos cabia - incertos de nossa essência: a outridade e o absurdo - era despejada no abismo que há entre a compreensão silenciosa de minha corporeidade e a inacessível certeza de sua existência - com que aprendi a nadar: mais nada.

Tenho que reduzir
meu ânimo ao mínimo
da pedra à altura de seu silêncio
até ser sua forma
e - talvez
compreender sua existência.

13/12/2007

pratique balonismo

Fragmento de carta, memória em pedaços.

Vitória, 25 de maio de 2007. Eduardo Valente.

30/11/2007


VITRAIS segunda parte

ISTO É UM FILME?

Isso é só um filme!

Quem disse?

Não é de fato real.

O que garante?

Se você desligar o aparelho, o real continua.

Você diz que real é isto que se dá: nós aqui conversando?

Sim. Tudo isso.

E que aquilo é só um filme, não-real?

Isso mesmo!

E se fizéssemos o contrário?

Como?

Se “desligássemos” isto que se chama “real”, o não-real continuaria?

Como assim?

Se morrêssemos, o “filme” continuaria?

Mas não teria ninguém para desliga-lo depois...

Então continuaria?

Por um tempo sim, até que acabasse a energia, ou alguém o desligasse.

E nós?

Mas ele não pode acabar por si só, decidindo-se por isso.

Nós podemos?

Claro que sim, isto é, suicidando-nos!

Você diz, se nós mesmos nos “desligássemos”?

Sim.

Então não haveria mais o real, nem o não-real?

Nós nos “desligaríamos” do real, mas ele continua.

Mas, para nós, o real não acabaria?

Sim.

Então, desligando o filme, ele não acabaria simplesmente para nós?

Possível.

Mas, se nos desligando do real, ele de alguma forma continua, o filme também

FIM

não continua?

Você está dizendo que o filme é real?!

Não. Só que ele continua.

Então, isso é um filme?

25/11/2007


é de completo estranhamento a relação do homem com a natureza

po.
pro.
retro.
ab.

cesso
IGNORÂNCIA

ig-nocere
(in-nous)
(não-conhecimento)

-inconsistência (em que consiste?)
-incoerência (começo)
-insistência (sistema)
-insapiência (saída)

inocência
(in-ciência)

palavras
Quem habita o hábito ou ausências
não pensa no que se repete, no mesmo:
é impulsionado a pensar o diferente.


Hábito é esquecimento.
Esquecimento não é
uma forma de saber:
o não-conhecimento?



hábito-esquecimento
esquecimento-pensar
não-conhecimento


o um é uma forma de: o