18/01/2008
I
O que não conheço não existe?
O que conheço existe?
O que sei?
Porque penso, existo?
Se não penso?
Se me esqueço?
Onde habito?
Quem habita o hábito
ou ausências
existe só
ou inventa existências.
II
Ainda habito estas ausências.
Ainda chamo ontem o esquecimento.
Ainda falo de silêncio e incompletude
das palavras.
Qual palavra ou ruído é possível
nas ranhuras do tempo
disperso de sentido
sem acontecimento
nem experiência
que delimite o espaço
num momento inexistente?
16/01/2008
30/11/2007
VITRAIS segunda parte
ISTO É UM FILME?
Isso é só um filme!
Quem disse?
Não é de fato real.
O que garante?
Se você desligar o aparelho, o real continua.
Você diz que real é isto que se dá: nós aqui conversando?
Sim. Tudo isso.
E que aquilo é só um filme, não-real?
Isso mesmo!
E se fizéssemos o contrário?
Como?
Se “desligássemos” isto que se chama “real”, o não-real continuaria?
Como assim?
Se morrêssemos, o “filme” continuaria?
Mas não teria ninguém para desliga-lo depois...
Então continuaria?
Por um tempo sim, até que acabasse a energia, ou alguém o desligasse.
E nós?
Mas ele não pode acabar por si só, decidindo-se por isso.
Nós podemos?
Claro que sim, isto é, suicidando-nos!
Você diz, se nós mesmos nos “desligássemos”?
Sim.
Então não haveria mais o real, nem o não-real?
Nós nos “desligaríamos” do real, mas ele continua.
Mas, para nós, o real não acabaria?
Sim.
Então, desligando o filme, ele não acabaria simplesmente para nós?
Possível.
Mas, se nos desligando do real, ele de alguma forma continua, o filme também
FIM
não continua?
Você está dizendo que o filme é real?!
Não. Só que ele continua.
Então, isso é um filme?




