10/09/2007

PEDRA-TEMPO

esquecer ser pedra
ser-se sem si
perder-se da parte


dedicar todo grão à soltura
pedra perdura
pedra-pedra

desaprender perenidade
e ser sempre
pedra perene

pedra-perda
pedra-possibilidade

chão pedra-pensa
pedra-pressa
e perpassa

chuva pedra
tudo pedra-pensa
pedra-tarda

ainda pedra
pedra-pedra
cinza

29/08/2007

um pequeno e passageiro
pássaro – na boca
uma sede de mundo.

03/08/2007

"Quando é preciso despedir-se: Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torrres se elevam acima das casas." (Nietzsche)

24/07/2007

Prefácio a um livro incompleto.

- Não. Este livro não. Ciência é coisa antiga. Este livro não. A humanidade é muito velha.

O que nos mata é a nossa ancestralidade.

Referências. Ausências inquietas.

Partir. Parir ao avesso a si mesmo outro.

O que nos afeta é o que nos afasta.

10/07/2007

silêncio insiste
inconsistente paisagem
-
refaz outra
passagem
-
indiferente e distraído
híbrido sempre
inconscientemente silencioso
destino?
desatino de ser
de trás pra
sempre

29/06/2007

Desfazer-se das incontáveis contingências da continuidade desnecessárias à despercebida respiração periférica até que se esqueça o traço incerto do sofrimento até que se saiba a incompreensível diferença entre a intransponível solidão e o intransigente acaso do indefinível rumor-rumo-ruína

21/06/2007

tudo engana a falta de sentido dos espaços vazios: solidão
os navios em linha espalhados pelo sol brotam núvens que afundam azul: quase-sei a indizível palavra
reinventar o impossível, outro nome para nada: desconhecimento